O que acontece aos restaurantes quando a Rússia fecha as fronteiras?

No que toca a luxo a Rússia não brinca,  e o fine dinning é mesmo só para algumas carteiras, nos restaurantes só encontramos ingredientes dos mais nobres e requintados, importados dos mais recônditos locais do nosso planeta.

Mas tudo terminou quando Putin fechou as fronteiras ao comércio impedindo a entrada de bens que eram essenciais a negócios que se baseavam muito num estilo de gastronomia europeia.
Muitos restaurantes, como o restaurante francês Les Menus (Chefe Pierre Gagnaire)  fecharam por não conseguirem importar ingredientes como parmesão, foie-gras ou outras delicadezas europeias.
Mas no meio do caos, o ser humano já muitas vezes provou ser extremamente maleável,e a velha e gasta cozinha russa ganhou uma nova cara, restaurantes substituíram o queijo francês pelo Caucasus, carne Argentina por Bryansk e Voronezh e até sopas e caldos voltam a ser servidos numa mistura entre o passado e o futuro.

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Comida tradicional Russa

O renascimento da cozinha Russa tornou-se num desafio para os chefes, que interpretam o embargo como um regresso às raízes Russas.

As tendências gastronómicas à muito que ditavam uma orientação para o regresso ao passado e à cozinha a avô, por isso já antevendo o futuro o Chefe Vladimir Mukhin do restaurante White Rabbit em Moscovo iniciou a sua busca pelo passado e pela raiz da gastronomia russa criando pratos novos, modernos e requintados inspirados na cozinha tradicional Russa, ainda antes do embargo.

Os seus pratos incluem ingredientes espalhados por todo o continente como o peixe do Mar Cáspio e do mar Negro, Vladimir Mukhin explica “Eu misturo as minhas tradições familiares da gastronomia Russa com tecnologia moderna. O resultado é uma nova cozinha russa -tradições são eternas, inovação não tem fim”.
A Rússia atravessa agora o desafio de produzir os seus próprios ingredientes de forma auto suficiente focando-se na  qualidade. Já existem empresas que se comprometeram a ultrapassar esta barreira como a sociedade cooperativa de cultura biológica Lavka Lavka.

O norte continua a surpreender seja pelo surgimento espontâneo de uma nova geração de chefes dedicados às suas raízes,  seja pela necessidade de criarem novas ideologias. Esperamos ansiosos por novidades que só o norte nos pode trazer.

Texto de Paula de Almeida

 

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